5 dicas jornalísticas para realizar melhores entrevistas

Por Stephanie Thomson

Quando eu comecei a trabalhar como uma escritora e editora, eu achei que Perguntas e Respostas (Q&As) eram fáceis de fazer. Primeiro passo, descubra pessoas interessantes e convença-as a falar com você. Passo dois, fale com elas. Passo três, escreva tudo. Simples.

Minha primeira entrevista, que foi com um diplomata das Nações Unidas para uma revista Suíça sobre estilo de vida, mostrou que eu estava errada. Depois de um mau funcionamento de um equipamento de gravação, eu estava tão frustrada que não o estimulei a entrar em detalhes sobre os pontos que ele destacou. Quando eu sentei para escrever a entrevista, tudo que eu tinha era um monte de banalidades. Eu nunca incluí a peça final, que ficou como um comunicado de imprensa em minha carteira de redação.

Todavia, realizar melhores entrevistas fica mais fácil com a prática. Desde esse meu primeiro desastre, eu tive sorte e melhorei, ao entrevistar gente como um dos primeiros funcionários do Google e o irmão menos conhecido, mas igualmente realizado de Elon Musk. E agora, eu continuo a aprimorar minhas habilidades como estrategista de conteúdo para o blog Think with Google. Mas, para profissionais de marketing que não têm tempo para aprender da maneira mais difícil, há algumas dicas para conseguir a perfeita entrevista.

Faça melhor trabalho de casa

“Meu único verdadeiro conselho para qualquer pessoa que realiza entrevistas é abraçar o moto dos escoteiros: esteja preparado”, que o escritor freelance Lawrence Grobel me contou num e-mail. Esta filosofia o ajudou a conseguir o acordo do ator famoso por sua privacidade Marlon Brando, para uma série de entrevistas para a revista Playboy, em 1978. “Se alguém for recluso, ou não responder, quanto mais você mostrar que está bem preparado, melhor será sua chance fazê-lo se abrir”, disse ele.

Estar preparado não quer dizer escanear uma página da Wikipédia alguns minutos antes da entrevista. “Você não pode se tornar um especialista em tudo, mas poderá tentar”, explicou o jornalista David Marchese. Leitores compartilharam 600.000 vezes no Facebook esta entrevista de Quincy Jones para a Vulture, desde que ela foi publicada em fevereiro. “Inicialmente, eu mergulho na pessoa do entrevistado, e, em seguida, eu leio em profundidade e amplitude, tanto quanto for possível, tudo que existe por aí sobre ele”.

Mesmo indivíduos com perfil mais baixo terão algum tipo de presença online – talvez uma apresentação que eles carregaram no YouTube, ou um artigo que escreveram. Como você saberá se pesquisou o suficiente? “Neste processo, você chega num ponto quando começa a ver informações repetidas”, disse Marchese. “Este é um bom sinal que você pesquisou bastante e que sua pesquisa será frutífera”.

Deixe o seu entrevistado à vontade

Independentemente de ser bem conhecida ou não, a pessoa que estiver respondendo as perguntas provavelmente estará nervosa. Se você quiser que ela se abra, você precisará deixa-la à vontade.

Comece por controlar seus nervos. “As pessoas copiam o comportamento do entrevistador”, disse Marchese. “Se você estiver nervoso e tenso, há uma boa chance que a outra pessoa se sinta menos confortável. Se você estiver relaxado, aberto, otimista e curioso, a pessoa com quem você estiver falando copiará seu comportamento”.

Outra maneira de deixar seu entrevistado confortável é compartilhar algo sobre você mesmo. “Eu sempre tento achar algo em comum com a pessoa que estou entrevistando”, contou-me Yesha Callahan, editora-chefe adjunta da Root. Recentemente ela aplicou esta técnica entrevistando Denzel Washington. “Em virtude de eu desejar estabelecer uma aproximação com ele, a primeira coisa que mencionei foi que ele conhecia meu primo e conseguiu para ele sua primeira oportunidade como ator. Daquele ponto adiante, foi como falar com um velho amigo”.

Se você estiver entrevistando alguém que já conhece, como um executivo de sua empresa, suponha que ele tem pouca experiência ao falar para um gravador. É sempre uma boa ideia fazer um ensaio com alguma antecedência.

“Quando você estiver falando com alguém de sua empresa, você poderá ser mais direto”, disse Ken Wheaton, romancista publicado, e antigo editor-chefe da AdAge. “Aqueça-os informando que algumas das perguntas poderão ser difíceis e poderiam deixa-los menos à vontade, mas lembre-os que este é um espaço seguro. Este não é um jornalismo de pegadinhas. Eu acho que fazer isso deixa as pessoas mais relaxadas e diminui a probabilidade delas responderem de uma maneira que soe como um roteiro”.

Priorize a conversa

Se você já ouviu um locutor ler notícias durante uma apresentação, você saberá quanto sem vida essa experiência pode ser. O mesmo se aplica às entrevistas. Em vez de disparar sua lista de perguntas, foque em ter uma conversa.

Uma maneira de fazer isto é usar um tempo para aprender suas perguntas. “Através do processo de pesquisa, eu também faço anotações, que condensarei em quatro ou cinco páginas de perguntas a serem feitas. Então, eu tento memoriza-las lendo-as talvez vinte ou trinta vezes”, disse Marchese. Fazendo isto antecipadamente, ele pode gastar o tempo da entrevista conectando com o entrevistado, em vez de fixar-se num pedaço de papel. “As coisas poderão, tomar outra direção em relação às perguntas planejadas, mas se eu memorizei o que quero perguntar, eu sei que não me fecharei, ou que acabarei sem ter o que perguntar”.

Se você achar que não poderá manter uma conversa ao mesmo tempo em que anota tudo que estiver sendo dito, busque ajuda na tecnologia. “A não ser que minhas entrevistas estiverem sendo feitas em vídeo, a maioria delas é feita através de uma linha de conferência, o que significa que poderei grava-las. Eu prefiro não fazer anotações enquanto o entrevistado estiver falando, pois, não quero perder nada”, disse Callahan.

Descubra a combinação certa de perguntas

Todas as grandes entrevistas têm uma coisa em comum: elas revelam algo novo, útil, interessante, ou controverso. Ocasionalmente, o entrevistado lhe entregará isto num prato, mas não confie que isto acontecerá sempre. Em vez disso, prepare algumas perguntas difíceis e esteja suficientemente confiante para fazê-las. “Quando estou preparando minhas perguntas, eu não uso apenas comunicados de imprensa e peças positivas”, disse Wheaton. “Realmente, eu saio do normal e leio o que os críticos estiveram dizendo”. Se isto for duro para os jornalistas, é ainda mais difícil para os profissionais de marketing, uma vez que a linha que os separa das relações públicas pode ser tênue. Mas, ir além das perguntas banais é algo que você deve aos seus leitores e ao entrevistado. “Os leitores não estão interessados em algo que soe como uma apresentação de vendas, e seus entrevistados querem passar a impressão que são alguém que tem algo que mereça ser dito”.

É claro que provavelmente você não quer colocar alguém imediatamente na defensiva. Mesmo se fizer as perguntas certas, a ordem das perguntar poderá desviar uma boa conversa. “Não deixe que tópicos sensíveis sejam a primeira coisa sobre o que falarão”, advertiu Marchese. “É útil gastar a primeira parte da entrevista apenas perguntando coisas mais gerais. Uma vez construído um melhor relacionamento, fica mais fácil fazer as perguntas mais importantes”.

Edite o que puder

Uma vez que você tiver pesquisado e realizado a entrevista, lembre-se de que a parte mais difícil ainda virá: transformar uma conversa longa e possivelmente sinuosa em algo que as pessoas desejarão ler.

Isto poderá parecer não intuitivo, mas você deverá editar suas perguntas e respostas, então por onde começará? Comece identificando uma tendência comum nas respostas. “Você não deverá fazer uma transcrição”, disse Wheaton. “Uma transcrição é chata e ainda é necessário ter um fluxo narrativo. Só porque você fez perguntas e obteve respostas em determinada ordem, não quer dizer que elas, necessariamente, precisem aparecer nessa ordem”.

Nessa busca por criar melhores perguntas e respostas, Wheaton pode ser tão impiedoso com suas próprias palavras, quanto ele é com seus entrevistados. “Eu sempre edito minhas perguntas. Suas últimas perguntas devem ser tão curtas quanto for possível, embora marquem um determinado ponto. Os leitores querem ouvir o entrevistado, e não estão interessados no que você tem a dizer”.

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Sobre a autora: Stephanie Thomson começou a trabalhar recentemente no Google como editora e estrategista de conteúdo. Anteriormente, ela fez parte da equipe de Mídia e Comunicação do Fórum Econômico Mundial.

Fonte: The Content Strategist

Foto por Alejandro Escamilla no Unsplash

Tradução: Fernando B. T. Leite

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