HypeCast #43 – Tudo sobre podcasts com Luciano Pires

Por Ivan Monteiro

Neste quadragésimo terceiro episódio batemos um muito bacana sobre podcasts com Luciano Pires, um dos maiores e mais conhecido podcaster do Brasil

O HypeCast é um talk show de rádio on-demand, mais conhecido como podcast. Ele é projetado para ajudar os profissionais de marketing e empresários ocupados a descobrirem as últimas tendências sobre marketing, tecnologia, empreendedorismo e negócios, através de entrevistas com os maiores especialistas do Brasil.

Olá, seja muito bem-vindo à quadragésima terceira edição do HypeCast! Neste episódio de encerramento das entrevistas da primeira temporada, batemos um papo muito bacana com o fantástico Luciano Pires, um dos maiores podcasters do Brasil. Nós conversamos sobre o Café Brasil, que deve ser um dos podcasts brasileiros mais antigos com mais de 10 anos de idade, falamos também sobre as oportunidades do mercado de podcasts que está em ascensão, sobre conteúdo criativo e lucrativo, e muito mais. Escute!

O programa desta semana

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Confira um pequeno resumo do que foi falado

Podcast de sucesso, o Café Brasil é um dos mais importantes do segmento com mais de 10 anos de existência. Seu criador, Luciano Pires, tem um vasto currículo com experiência como cartunista e executivo no setor de marketing. Unindo reflexões de assuntos cotidianos, opinião e música, o podcast faz sucesso e possui um grande número de assinantes.

Sobre a presença da música em seus programas, Luciano defende que ela é importante. “Não tem nada melhor do que quando você estiver ouvindo rádio, troca a estação e está passando aquela música que mexe com o seu coração. A forma que ela entra na nossa cabeça dá um bem estar”. Pires afirma que existe momento para tudo. “O podcast é tornar útil um momento que você estava se dedicando para outra coisa”.

Quando questionado sobre sua vida profissional e criador de conteúdo, o especialista em marketing analisa essa jornada. “Trabalhei com conteúdo toda a minha vida como cartunista, porém, com o tempo acabei entrando para o mundo corporativo, mas sem deixar de lado meu lado cartunista. Eu tinha um sonho de ter uma editora, mas não uma edição de livro, mas sim de conteúdo, de diferentes tipos de obras”.

Diz que sempre visualizava que um dia essa questão do conteúdo seria uma grande tendência. “Eu não sabia, 20 anos atrás, que isso seria uma tendência em alta nos dias de hoje. Em 2008, resolvi entrar de cabeça em meu próprio negócio. Fundei uma editora, mas que foi desmontada pela crise. Mas nesse tempo já estava fazendo o programa de rádio e, logo, o podcast nasceu, como uma extensão das minhas palestras”.

O profissional revela que o podcast existe desde 2005, mas ele não sabia bem do que se tratava. “Depois fui descobrir que haviam outros caras fazendo. Daquela época, são poucos que ainda existem. Hoje tem muitas pessoas fazendo várias coisas diferentes, no YouTube, ou reeditando programas de rádio e dizendo que é podcast”.

“Mesmo assim, o podcast brasileiro é muito melhor editado que o realizado nos Estados Unidos. Lá, os modelos são simples, sem música. Eles não podem usar trilha sonora sem pagar pelos direitos de execução. Aqui no Brasil existe um nó jurídico sobre essa questão que, mesmo pagando o ECAD, é um risco usar músicas para podcast”.

Mercado de podcast em ascensão 

Luciano reflete sobre como comercializa os modelos de podcast, e entende que há um desafio entre as vertentes da tecnologia, direitos autorais, público e patrocinadores. “Eu montei um modelo de assinatura de conteúdo. Mas infelizmente, o Brasil não tem cultura para isso, pois as pessoas não aceitam, por vários motivos, entre eles, ideologia”. Porém, ele vê que com o tempo, o conteúdo e o formato do podcast consegue vencer essas barreiras. “O podcast não pode ser medido como Blog ou YouTube, o que é uma oportunidade para encontrar um novo caminho”.

Luciano afirma que o mercado de podcast tem um potencial imenso. “Quando o cara descobrir que aqueles 45 minutos que ele está no trânsito, indo para o trabalho, ele pode ouvir um podcast, aprender e se entreter, vai mudar a vida dele. Existe uma curva de ascendência global”.

Apesar do mercado positivo, Luciano observa que ainda é muito arcaico a geração de dados por parte das plataformas que disponibilizam o conteúdo. “Os números de audiência me servem para fechar com publicidade, mas não quero depender deles”.

O cartunista identifica que o engajamento da plataforma é muito maior do que é oferecido por outros canais. “O ouvinte é convidado a fazer parte do projeto”. Ele usa como exemplo os usuários Premium do Café Brasil onde há um grupo disponível dentro do Telegram para eles interagirem.

“Eu tenho certeza que estou vendo uma revolução. Muitos não viram ainda. Ninguém sabe a consequência dessa mudança. Essa questão do conteúdo vai atropelar tudo”, afirma.

Conteúdo criativo e lucrativo

Sobre a criação de conteúdo, Luciano diz que tem uma tese sobre o Café Brasil “Ele é sobre a vida, não é sobre economia, mas fala sobre economia, não é de política, mas fala sobre política. Não dá pra saber sobre o que será o próximo programa. A versão Premium já é mais racional, onde é falado sobre a vida profissional de alguém”.

Segundo Pires, o conteúdo segue o ritmo da vida. “Eu gosto da surpresa, do desordenado. Seja o que for, é pertinente porque tem a ver com o cotidiano do ouvinte. No fim das coisas, está tudo organizado. Se juntar os temas falados, eles estão correlacionados também, mesmo não sendo pensado nisso, pois é a vida da gente, um caos organizado”.

Pires afirma que ele é responsável por 60% da criação e o resto fica por conta da audiência. “Não é nada didático, eu dou pontos de vista, mostro uma conclusão e deixo por conta de quem ouve tirar suas conclusões. Porém, não estou interessado nessa conclusão, mas sim no processo.

Sobre o modelo de publicidade e sucesso, Luciano entende que o mainstream tem grandes riscos. “O dia em que acabar, vai ser de uma só vez. Falamos muito do popular e o do underground. Mas existe um caminho no meio. Eu estou nesse, não sou milionário, mas tive uma vida certinha. Uma figura como o Neymar não tem liberdade. Eu que sou um ‘mané’, tenho toda a liberdade do mundo. Não quero 5 milhões de seguidores se tiver 2 milhões me xingando”.

Criadores de conteúdo X plataformas

Segundo ele, é muito mais vantajoso dividir investimentos milionários entre pequenos influenciadores do que grandes canais e veículos. “Um dia vão olhar e perceber o quanto estão desperdiçando dinheiro em grandes canais, pois nada é garantido. Claro que há algum resultado pelo grande alcance, mas é muito dinheiro gasto”.

Para Luciano, o modelo de negócios como do YouTube também é um risco para criadores de conteúdo. “Se o Youtube quiser alterar o paradigma de negócios, o gerador de conteúdo perde tudo. Eu tenho o portal, meu próprio modelo, então se o YouTube mudar algo, eu ainda tenho várias plataformas para manter o meu conteúdo”.

“Da mesma forma que a internet trouxe essa possibilidade de distribuir nosso trabalho de uma forma que era impossível, elas está trazendo essa armadilha que é distribuir em um canal que não é o nosso”, pondera.

“O Youtube e o Facebook são ótimos, porém você deve usá-los, mas não deixar que eles usem você. Se o canal não é o seu, abra o olho.”

Escute o programa que tem muito mais! ;-)

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Sobre o autor: Ivan Monteiro é jornalista e Diretor de Conteúdo da HyTrade Marketing Digital.