O impulso de crescer vs. o impulso de servir

Por Jay Acunzo

Aparentemente, em nosso trabalho como criadores, duas ideias lutam entre si todos os dias: o impulso de servir e o impulso de crescer.

O impulso de servir: Pura e simplesmente, eu quero fazer coisas de que outros genuinamente gostem.

O impulso de crescer: Eu quero que meu trabalho “trabalhe”. Eu quero ver resultados e meu projeto ou empresa crescerem.

Servir: Mas ver resultados não é a meta.  É o subproduto de servir bem aos outros. A meta é resolver um problema, ou satisfazer um desejo com o que eu criar. Fazer bem isto significa que os resultados virão.

Crescer: Mas, virão mesmo? Eles virão com rapidez e consistência suficientes? Sim, criar algo que prenda a atenção facilita a geração de resultados, mas eu também preciso gerar resultados proativamente. Você não pode esperar sentado. Você precisa produzir os fins, tanto quanto os meios.

Servir: Sim, mas a maneira de produzir os fins é focar mais nos meios. Quando focamos no processo, em vez de nos resultados finais, obtemos melhores resultados finais. Você pode tentar se virar com um trabalho médio, mas isto não é servir a audiência, não é suficientemente proativo. Ser verdadeiramente proativo é conhecer melhor sua audiência e sua arte para melhor servi-las. Quanto mais bem você as servir, melhores serão os resultados.

Crescer: Muito bem, e nossas metas? Enquanto estivermos aprendendo a arte, ou falando com clientes, nós ainda temos números de leads, de tráfego e de vendas para atingir. Nós temos chefes, ou clientes, ou pares que esperam coisas de nós. Podemos nos dar ao luxo de desacelerar, mesmo que por um momento? Não devemos, não podemos e não iremos fazer isto.

Frequentemente, os impulsos de curto prazo vencem

Demasiadas vezes, nosso esforço para crescer abafa nossa vontade de servir. Isto é ruim? Alguém tem culpa disso? Eu não tenho certeza, eu acho que isto é apenas a natureza humana. Afinal, ninguém jamais sentiu que tinha muito de uma boa coisa. E muito pouco? Nós sentimos isto o tempo todo.

(Eu posso lhe dizer com absoluta certeza que todo “podcaster” do mundo deseja ter mais downloads. Eu posso criticar os downloads como uma Métrica dos Deuses, mas se formos honestos, eu desejo que todos os shows da Unthinkable Media tivessem maiores audiências. Da mesma forma, eu critico o tempo todo o alcance em favor da ressonância, mas eu poderia realmente usar 10.000 assinantes de e-mail em vez de 2.000. Você não gostaria de assinar?)

Mas talvez, apenas talvez, eu deva reorientar essa energia mental em direção ao impulso de servir.

Como criadores, eu acho que percorremos um caminho que nos parece ser lógico, mas que outros lutam para ver, sem falar em percorrê-lo. Nós acreditamos que criar algo de que outros gostem nos levará aos resultados que queremos. Parafraseando Tim Cook, o CEO da Apple, nós não estamos focados nos números; focamos nas coisas que produzem esses números. Fazer isso é focar nossa energia nos fundamentos, não nos fatores que incrementam. Gaste mais tempo criando algo que valha a pena ser otimizado, não otimize demais algo que não valha nada para outros.

O impulso de servir e o de crescer – em nosso trabalho, essas duas ideias lutam, uma contra a outra. Agora, é aqui que eu fico insatisfeito.

Porque essas ideias entram em conflito no mundo dos negócios? Não deveria ser óbvio como elas trabalham em harmonia? Isto é tão lógico, não é? Se X criar Y, e Y criar Z, foque em X. Não pule diretamente para Z.

O que causa esta divisão mental entre as duas ideias? O tempo.

Criar algo que mereça a atenção requer tempo. Entender as necessidades de outros requer tempo. Desenvolver sua arte requer tempo. Convencer colegas, chefes e clientes para que vejam o mundo como você vê requer tempo. Afiar sua intuição e confiar nas melhores práticas leva tempo.

Pelo menos criar maravilhosos conteúdos tem um atalho (estou brincando).

Quando você controla recursos, ou liga seu próprio valor a uma métrica, como o número de downloads, ou de leitores, isto pode facilmente distorcer seu pensamento. Você começa a desejar que pudesse crescer, sem ter que servir. Você quer apertar o botão mais fácil.

É isto que causa tanto conflito entre os criadores e outros colegas, embora ninguém jamais admita isto em voz alta. Aqueles que pensam apenas sobre crescimento começam, subconscientemente, a desejar que seus pares criativos fossem botões a serem apertados, sistemas de ingressos para produzir o trabalho mais rapidamente, mais barato, agora. Se um projeto demorar um ano, eles prefeririam que durasse um mês. Se levar um mês, por que não uma semana? O final desse raciocínio é, logicamente, nenhum tempo gasto. Resultados sem o tempo. O desejo de crescer sem a disposição para servir.

A dura verdade que o mundo empresarial tem que engolir é a mesma verdade que você e eu precisamos abraçar como um escudo contra todos os mascates que prometem atalhos e segredos: um grande trabalho requer tempo, ponto final. Fim. Obrigado por participar e, ao sair, não esqueça seus pertences. Você não precisa ir para casa, mas não pode ficar aqui.

Meu amigo, se você chegou até aqui neste artigo, deixe seu impulso de servir ter preferência sobre o impulso para crescer. O primeiro é fundamental, enquanto que o segundo é incremental. Se você fizer bem um deles, o outro ficará muito mais fácil. Mas, não se engane, você precisa doar-se ao impulso para servir. Você precisa evitar atalhos e segredos a todo custo. Porque não há segredos. Apenas há trabalho duro, feito com a intenção de servir.

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Este artigo apareceu originalmente no site de Jay Acunzo Unthinkable Media.

Sobre o autor: Jay Acunzo é um “podcaster” vencedor de prêmios e palestrante dinâmico. Antes de criar o show popular Unthinkable, Jay era um estrategista de mídia digital do Google e chefe de conteúdos da HubSpot. Ele construiu estratégias de marketing de conteúdo a partir do zero para startups e produziu documentários que atraíram a atenção para marcas. Seu trabalho tem sido citado por professores da Harvard Business School, por escritores do Washington Post e por investidores do Shark Tank da TV. Atualmente, Jay apresenta shows e trabalha com equipes que quebram o pensamento convencional e tornam-se a exceção bem vinda a todos os ruídos médios em seus nichos. Diga alô a ele no Instagram @jacunzo, ou no Snapchat @jayacunzo, ou no Twitter @jayacunzo.

Fonte: The Content Strategist

Tradução: Fernando B. T. Leite

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