O que é realmente liderança de pensamento e por que devem os CMOs se preocuparem com isso?

Por Melissa Lafsky

Liderança de pensamento! Ela se tornou uma daquelas frases que ficam zumbindo nos ouvidos, que é tão ubíqua, que ninguém se importa mais de fazer piada dela. Mas, mesmo com toda essa extravagância, ninguém pode escapar do fato que, se você for um chefe executivo, ou um líder empresarial, você deve estar fazendo muito disto, e em tantos lugares quanto for possível.

Por quê? Porque quando bem feita, a liderança de pensamento produz verdadeiros benefícios – tanto para as pessoas que escrevem como para as que leem. Mas, muito da suposta “liderança de pensamento” fica aquém do desejado.

De qualquer modo, o que é liderança de pensamento

Antes de entrarmos em maiores explicações, vamos primeiro definir o que é liderança de pensamento. Num nível holístico, liderança de pensamento é uma maneira de influenciar e de quebrar normas sociais. Os seres humanos existem numa forma de estase, e o nosso cérebro aprende apenas o suficiente para nos mantermos vivos, nas condições às quais estamos submetidos, enquanto que sistemas mentais de piloto automático assumem o controle de tudo o mais. A liderança de pensamento vira esse grande volume de direção em piloto automático humano de cabeça para baixo. Ideias podem ser introduzidas e apresentadas ao público, que literalmente muda a direção do pensamento e da ação social.

Exemplos de alto nível disto? A declaração de independência dos Estados Unidos, o discurso “I Have a Dream” (Eu tenho um sonho) de Martin Luther King e a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de legalizar o casamento gay. Cada um desses exemplos representou uma nova forma de pensamento, que quebrou a ordem até então estabelecida de como são as coisas, e provocou mudanças sociais radicais.

Quando aplicadas a corporações, as regras da liderança de pensamento, embora talvez não tão inspiradoras, ainda se aplicam. Líderes no mundo dos negócios, que têm percepções valiosas a compartilhar, têm um pódio para expressar livremente essas ideias e, possivelmente, guiar o futuro dos seus ramos de atividades, ou até de fazer declarações que influenciem grandemente o mundo do trabalho.

O problema é que isto tem sido diluído. À medida que cada vez mais pessoas juntam-se à carruagem da liderança de pensamento, a distinção entre ideias que realmente lideram o pensamento e as que não o fazem, está ficando tênue.

A real liderança de pensamento

Quando a liderança de pensamento é bem feita – significando uma ideia verdadeiramente perspicaz e poderosa, expressa através de histórias habilmente contadas numa plataforma inteligentemente distribuída – ela é uma vitória para todos. Os leitores levam algo que tem valor tangível para o seu ramo de atividades, ou para as suas empresas, ou ainda para as suas carreiras. E os autores recebem o cachê e a influência advindos do fato de serem verdadeiros líderes de pensamento.

No mundo do marketing e da publicidade, não há falta de inteligência e de excelentes formas de escrever, que têm revirado convenções, iniciado conversas e impulsionado ações. Alguns CMOs têm causado grandes esparramos, desafiando o funcionamento de grandes corporações e acrescentando algumas lições básicas sobre como é ser humano, e ainda mantendo grandes empregos. Mesmo executivos que não estão mais atuando no mercado são capazes de jogar alguma perspectiva sobre a multidão de jovens e fazê-los pensar se o passado é um prólogo.

Isto parece grandioso, certo? Vamos todos fazer isto!

A questão é que você não pode gerar “liderança de pensamento” apenas por fazê-lo. Para expressar ideias originais e impactantes, você precisa tê-las, em primeiro lugar.

Como autores reais ou potenciais de liderança de pensamento, o ônus recai sobre os pretendentes, para determinar quais dos seus pensamentos são apenas pensamentos e quais valem a pena serem designados como “liderança”. A chave para saber qual é a diferença é desenvolver um sentido apurado do passado. Quais ideias moveram a agulha no seu ramo de atividades nos últimos dois anos? Dê uma olhada nos maiores geradores de tráfico no LinkedIn, e procure temas comuns. Preste atenção nos maiores influenciadores do seu ramo de atividades – porque eles são influenciadores? Quais percepções eles estão oferecendo e de quais tópicos eles estão se mantendo afastados?

Acima de tudo, evite qualquer coisa que pareça o seguinte: “Rápido! Nós precisamos liderar alguns pensamentos! Arranjem um estagiário que possa escrever, como escritor fantasma, alguns posts sobre matérias que estão virando tendência no Google! Coloque isto tudo no LinkedIn”!

Este tipo de “liderança de pensamento” não merece o nome. Não há respeito pelo tempo do leitor e não há desejo de resolver um problema que a audiência está enfrentando.

Qual é a chave para criar liderança de pensamento engajadora e eficaz, que cause barulho digital? Resumindo, em primeiro lugar, isto é sobre isolar o seu “molho especial”, que o levou ao sucesso, e achar maneiras autênticas de exibi-lo por meio de narrativas que falem verdadeiramente para as audiências (a minha empresa tem estado tentando fazer disto uma ciência, que nós agora oferecemos em nosso Acampamento de Liderança de Pensamento − Thought Leadership Boot Camp – para executivos e empresas, que estão procurando criar liderança de pensamento para a prateleira de cima, e que, realmente, lidere pensamentos).

Ainda assim, mesmo com todos os acampamentos do mundo a liderança de pensamento eficaz requer trabalho, disciplina e, é claro, grandes ideias. Se a liderança de pensamento fosse uma tarefa que você pudesse jogar no final de uma lista de coisas a fazer, a sociedade humana seria muitíssimo mais avançada do que é agora (para iniciantes, nós eliminamos coisas como a fome, as fatalidades das rodovias e os aplicativos para marcar encontros).

O panorama digital tem dado aos executivos mais oportunidades que nunca antes, para dizer coisas relacionadas a percepções e coisas poderosas sobre as suas empresas. Mas, o ônus da prova permanece com o autor, para ter a certeza de que o que ele está compartilhando é verdadeira liderança de pensamento, e não autopromoção.

Sobre a autora: Melissa Lafsky Wall (@Lafsky) é a fundadora da Brick Wall Media.

Fonte: The Content Strategist

Tradução: Fernando B. T. Leite

Imagem de capa: vasabii

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