O que os romancistas podem nos ensinar sobre como agradar uma audiência difícil

Por Emily Gaudette

Quando eu estava na faculdade, meu professor favorito de redação nos disse que os romancistas têm trabalhos excepcionalmente difíceis. Os estudantes à minha volta reviraram os olhos. No Iowa Writers’ Workshop, a maioria deles estava esperando escrever uma novela melancólica e alegórica, e esta comparação pareceu um insulto. O que os livros de romance têm a ver com boa escrita? Alguma mulher está comprometida com um homem de quem ela não gosta, e ela vê um cara musculoso que trabalha em uma fazenda − é isso, certo?

Meu professor explicou isto da seguinte maneira: imaginem se tudo que jamais escreveram, desde uma apresentação de vendas até uma newsletter de marketing, ou um capítulo de uma novela, tivesse que ser lido por uma audiência de especialistas, que colocam demasiada ênfase em detalhes triviais ou de pouca importância no seu campo. Leitores que habitualmente gostam de livros de romance e não têm paciência com um protagonista tímido ou submisso, ou com um cenário exagerado de um navio pirata.

O gênero romance, como me disseram diversos romancistas, pode ser dividido em centenas de subgêneros, cada um deles com seus próprios fãs, sinceros e apaixonados. Independentemente de você estar escrevendo romances sobre ficção científica especulativa, sobre dados históricos, alta fantasia, ou sobre um tema frequentemente difamado, o paranormal (a maioria das pessoas pensa primeiro em Crepúsculo), constantemente, o escritor luta para manter a audiência engajada. Caso contrário, os leitores podem facilmente deixar seu trabalho de lado e pegar uma das milhares de opções criadas por seus concorrentes.

Se você estiver no ramo de conteúdo, um mercado supersaturado de atenção pode parecer familiar. Os leitores de romances tendem a devorar um livro por semana, e apenas a Harlequin Books publica 120 novos romances por mês. Logo, como os romancistas têm sucesso?

Desafie imediatamente as expectativas da audiência

Maria Vale, autora da série de romances A Lenda de Todos os Lobos, começou seu primeiro livro empurrando imediatamente tropos (metáforas). Consciente de se juntar ao cânone lotado do romance paranormal, Vale disse: “Eu queria que o leitor dissesse: ‘Oh, eu nunca vi isso antes’”. Já que ela queria contar uma história sobre lobisomens, ela começou por uma fêmea alfa, em vez de um caráter masculino dominante.

De fato, recentemente, Vale disse que nos romances, poderosas mulheres têm se tornado cada vez mais populares. Vale disse que “Nada incomoda mais um romancista moderno que a expressão ‘estripador de corpos’. As pessoas também fazem piadas sobre o Fabio. Antes de mais nada, estripar corpos é uma metáfora de um romance dos anos 1970, e Fabio foi dos anos 80, então, ambos os pontos estão desatualizados. Em segundo lugar, os leitores de romance têm falado sobre consentimento por um longo, longo período de tempo”.

“Portanto, o que deve fazer um autor? Nós precisamos fazer os leitores se importarem”.

Em outro canto, Stacey Keith, autora da série de livros Sonhos se tornam realidades, da Kensington Books, disse que ela rejeita o padrão de dar à heroína um bando de companheiras femininas. Ela explicou que “Você as conhece – elas são as melhores amigas da heroína, mas, por várias razões, elas não são ‘rivais’ no lado romântico”. “Elas nunca são tão atraentes como a heroína, e eu acho que isso é um erro. É importante mostrar mulheres que são amigas, que apoiam umas às outras, sem astúcia ou rivalidades fervorosas (a menos que façam parte do enredo)”.

Se qualquer outro profissional puder se identificar com tropos do ramo de atividades, ele seria um profissional de marketing. Este ramo está cheio de jargões irritantes, fotos antigas e blog posts genéricos, que nunca parecem ir a lugar algum. Apenas reservar um tempo para pensar o que você poderá fazer para se destacar, antes de começar sua próxima peça de conteúdo, ou campanha, o colocará adiante das massas.

Respeite a fórmula (até certo ponto)

É claro que, independentemente de quão inventivos romancistas quiserem ser, eles nunca descartariam todo o gênero. Adriana Anders, autora das séries best-selling Telas em branco, gosta de borrifar, em seus romances, alguns métodos testados e aprovados. “Eu tenho tropos favoritos – proximidade forçada é um grande deles, seguido de perto por inimigos a amantes”, ela explicou. Cabe então a um criador encontrar o equilíbrio entre clichês e velhos favoritos. Afinal, primeiros beijos ocorrem na chuva por um motivo.

Enquanto isso, Keith brinca com metáforas antiquadas, fazendo edições modernas. Ela diz que, recentemente, “Tem havido muito ruído em volta do tema heroínas virgens”. “Como uma escritora, e como uma feminista, eu certamente concordo que nenhuma mulher deve ser definida por sua situação sexual. Assim mesmo, eu tenho uma heroína virgem em Amante sonhadora […] porque o próprio personagem se rebela contra todo o estereótipo de boa menina/má menina”.

Você pode estar imaginando, “O que heroínas de romances têm a ver com minha estratégia de conteúdo”? Esta é uma pergunta justificada. Todavia, considere como Keith avaliou o ruído do ramo de atividades, internalizou a conversa que aconteceu entre escritores e leitores e, ultimamente, fez uma escolha ousada em seu conteúdo. Ao escolher um velho estilo que recentemente foi questionado e examinado por seus contemporâneos, Keith entendeu como oferecer ao seu público uma quantidade suficiente do que ele esperava.

Esta é uma fácil lição para os criadores de conteúdo de todos os tipos. Tente encontrar seu lugar em algum local entre seguir táticas comprovadas e causar um grande esparramo. Se você produzir apenas longos posts sobre ‘como fazer’ certas coisas, você irá queimar sua plateia e ficará sem ter o que dizer. Ao mesmo tempo, publicar uma tonelada de artigos curtos agregados, com novidades que alguém descobriu, o deixará com uma produção digerível, mas fácil de ser esquecida. Existem fórmulas que servem como orientação, mas você não pode abandona-las completamente, ou aderir religiosamente a elas, se quiser se destacar.

Não tente atingir a todos

Cada um dos romancistas com quem conversei enfatizou como conhecer seu público adiciona valor ao seu processo artístico e à sua produtividade total. É claro que estas mulheres estão cientes das pessoas do meu workshop estudantil, que reviraram seus olhos diante de prolíficos romancistas, que podem produzir um romance por ano. Eles entendem que, independentemente do que façam, alguns leitores e escritores não irão se importar.

Não é sempre fácil aceitar esta realidade, mas quando você para de tentar atingir todos, fica mais fácil construir lealdade com uma audiência. Em particular, para as marcas, sempre haverá pessimistas que acreditam que o marketing de conteúdo tem, inerentemente, falta de profundidade ou de qualidade – apenas por ser marketing. Todavia, ainda haverá muitas pessoas que poderão apreciar seu trabalho, se você se comprometer a educa-las e a entretê-las.

“Ninguém mais quer ser convencido” disse Vale. “Ninguém quer ter seu livro rudemente enfiado goela abaixo. Portanto, o que deve fazer um autor? Nós precisamos fazer o leitor se importar”.

Tudo isto para dizer: desenvolva um plano. Tenha uma estratégia. Documente-a, se puder. Como um romancista, você deve se sentir apoiado por todos os dados que estão por trás de você, quando você se sentar para escrever. De fato, desenvolver uma estratégia de conteúdo é uma escolha tão óbvia quanto uma heroína escolhendo entre um cara rico, mas malvado, e um cara sem um centavo, mas engraçado. Todo mundo sabe que você sempre escolherá o cara divertido.

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Sobre a autora: Emily é uma editora associada da Contently.

Fonte: The Content Strategist

Tradução: Fernando B. T. Leite

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